Tuesday, 16 December 2008

Me fui en un día de lluvia

Bairro de Sants, Barcelona. Dezembro de 2008. Fotografia de K.

O temporal abate-se sobre Barcelona, a tarde é escura e a luz que resta é apenas a que a espaços surge da fúria dos relâmpagos. Com o entardecer, pouco a pouco, a chuva transforma-se em noite. Penso em ti, mas não estou contigo. Penso em ti e estou com outra pessoa, mas na minha mente és tu quem aparece, saída da prateada chuva vespertina, e sinto-te tão perto que consigo cheirar o teu perfume. De quem é o corpo que toco? De quem é a respiração que ouço tão perto do meu ouvido? E este corpo procura-me, fala-me, pede-me que o tome e esqueça tudo o que está fora desta sala, que deixe que o passado caia no esquecimento de um beijo. E então compreendo que a distância é um conceito que não é comprensível para mim. Sinto-te tão perto e estás tão longe, tenho-a aqui e sinto-a a mil milhas de mim. A vida expande-se silenciosamente para além das grandes janelas molhadas, e as leis da física não são mais do que enunciados teóricos diluídos nas gotas destas janelas. Gotas que passeiam a grande velocidade nos vidros, e desagregam em tons e formas o sorriso que vejo à minha frente e os braços que me cingem para criar o som de outro riso e a luz de outro olhar. Observo o semblante primoroso que tenho diante de mim, e ouço as palavras entrecortadas que me sussurra, hoje só há duas coisas no mundo para mim, tu e a chuva. Não respondo e fecho os olhos, porque não sei mais o que fazer ou dizer. A chuva impetuosa cai cada vez mais forte, como se acometesse por todas as partes, anulando todas as distâncias, e imagino os nossos corações tocando-se, nós dois sob um chapéu de chuva que mal nos protege da intempérie, saltando as poças de água na Praça Camões. Saio para a rua e penso que só a chuva pode levar consigo o que trouxe, e só me resta esperar por dias de sol em que saiba aproveitar o que tenho ao alcance das minhas mãos. As luzes dos candeeiros já se acendem e caminho sob a chuva crepuscular, cai a noite e apesar da escuridão e do frio este é para mim um doce entardecer, pois transformou-se na perfeição da tua lembrança.

10 comments:

SMA said...

E a Chuva lava a alma
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.
tornam-se claras as remniscências
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.
renovação de cheiros.
Gostei da foto e claro... da chuva nas palavras
.
bjo

M. said...

Nem mesmo a chuva lava o desconforto de estarmos onde não queremos... :)

testaravida said...

Eu não sei o que dizer de texto tão lindo como este... quero guardá-lo e lê-lo sempre que precise de palavras bonitas!

Anonymous said...

és um secas olha arranja um guarda-chuva que isso passa

mania de se armarem ao pingarelho, ah coiso e tal sou nostálgico e tal isso com as miúdas deve ter uma grande saída eheheh

os grandes sentimentos não precisam de grandes palavras nem de grandes textos sentem-se e é tudo...

alien aboard said...

hey you´re one fucked Anonymous person lol

já pensaste k se calhar ele escreveu pk precisava exorcisar ixo ao invés de se exibir?.
mas dixeste algo belo e axertado: "os grandes sentimentos não precisam de grandes palavras nem de grandes textos sentem-se e é tudo..."

Joana M. said...

Oh Anonymous, não percebes nada disto. Mas também se só "sentes e é tudo" não seria de esperar outra coisa. :D

MONALISA said...

Venho a desoras, acabadinha de chegar das 'quintas de leitura' no teatro campo alegre, só para desejar boa viagem de regresso a casa. Beijo

jj said...

Pois...ontem. O dia dos nomes... Também não me esqueci.

Um Bom Natal e um Ano Novo em grande.


Jinhos.

Elipse said...

chuva de palavras.
sempre bonitas e com cores e movimentos.
dos sentimentos não sei falar.

Elipse said...

chuva de palavras.
sempre bonitas e com cores e movimentos.
dos sentimentos não sei falar.