Thursday, 27 May 2010

Como uma tatuagem

Paula’s Darksun. Fotografia de K.



Para a Paula


Como uma tatuagem desbotada, fui-me apagando da tua pele, e as minhas últimas carícias desapareceram de ti, descoloradas a cada dia que passava. Disseste-me que foi a ilusão da véspera de um feriado, disseste-me que foi o tom daquela luz que iludia os sentidos, eu disse que foi a poesia nocturna das ruelas do Bairro Gótico, pensámos que num segundo de descuido os nossos corações acabariam por unir-se. Algo ficou abandonado nessa hora sem retorno, uma dor mastigada, uma paixão acessória que já não tem magia ao recordar. As noites foram passando, na última tu deixaste as persianas do teu quarto abertas, esperando o conforto da madrugada ou o passear do resplendor da luz na tua pele. Noite nenhuma regressa do lugar onde se esconde o tempo, nem nenhuma paixão se pode mascarar de amor. Enquanto o sol subia no horizonte, esvaneci-me em ti, desapareceste de mim.

2 comments:

M.M said...

...
Dos posts mais intensos que li na minha vida.
Sabe mal...essa estranheza que de repente surge entre duas pessoas que por momentos já foram tao intimas.
Beijo com saber a fresa*...

K. said...

Sim, sabe mal... é uma pena. Mas ultimamente nao tenho sido agraciado com a constância... é tao simples aquilo que procuro que às vezes tenho medo de nao voltar a encontrá-lo... um beijo, meu amor.