Friday, 5 June 2009

Los viernes al sol


Port de Barcelona, Junho de 2009. Fotografia de L.M.


Queria partilhar contigo tudo o que via, quando fui surpreendido pelo crepúsculo que beijou num repente o porto e me deixou em silêncio. As embarcações ao longe balançavam-se nas ondas do entardecer, com a cadência do vai e vem de quem encontra no sono a paz que procurava. Senti o abraço daquela tarde, uma resposta terrena às consultas ao infinito e às buscas infrutíferas de um caminho recto até à luz, como se o crepúsculo simbolizasse um começo e não um final. Abracei-te porque sabia que naquele momento sentias o mesmo que eu. O porto enchia-se de silêncio e a brisa acariciava-nos a pele e os cabelos, sensível como a mão de uma mulher. Ali, sentado na plataforma de madeira, contigo ao meu lado, compreendi que tudo o via sempre tinha estado ali. A melodia das ondas e o sopro crepuscular, o encontro do mar com a terra, esse abraço que tantas gerações terão sentido nessa mesma hora do dia. Um vai e vem entre o mundo que eu conhecia e o outro que era de todos, de todos os que havíamos vivido algum momento naquele canto do Mediterrânico, e comprendi então que estávamos na ponte entre dois mundos.