Monday, 9 June 2008

These are a few of my favorite things

Plaza Sant Felip Neri, Barcelona, Maio de 2008. Fotografia de K.


Ver os gatos ao sol como lânguidos seres peludos, ler poesia e sentir a força das palavras, atirar pedras e vê-las saltar no lago do Parque do Retiro, ouvir Zeca Afonso numa estrada secundária numa tarde de Verão. Vinho tinto e queijos portugueses, espanhóis e franceses com conversas amenas, o Museu do Prado com a companhia da Bea, o cheiro do café acabado de fazer, a Praia do Espelho na Bahía, Johann Sebastian Bach no primeiro despertar cada vez que vou a Portugal. O peixe grelhado na esplanada de um restaurante de pescadores, as caretas que troco com o menino que está no carro ao lado num engarrafamento, a chuva de Maio, reler “O Fio da Navalha”, caminhar nas dunas, o cheiro de um livro antigo, ler baixinho Julio Cortázar numa noite fria, o pão da aldeia barrado com manteiga, regar as plantas da Catarina com o shaker de cocktails, o “Begin the Beguine” do Cole Porter, respirar tranquilamente num bosque. Receber um postal, a máquina de escrever Underwood do meu avô, Jordi Savall no Palau de la Música Catalana, o barulho das ondas do Atlântico, os casacos de couro retro, velas negras e verdes, os clubes de jazz de Barcelona e Paris.

Cantar sozinho no duche, oferecer flores quando não se espera, tomates cherry, o sabor de um puro cubano, conversas intermináveis na Plaza Sant Felip Neri, ouvir The Magnetic Fields num descapotável na costa de Girona, o aroma a manjerico nas ruas do Porto no S. João, lagostins e cerveja ao pequeno-almoço no Mercat de La Boquería num Sábado de Verão. Dormir ao ar livre, o sorriso da Audrey Hepburn, os amigos boémios e anarquistas, a recordação do primeiro beijo, os fotogramas surreais do David Lynch, o sal na pele e nos lábios depois de um banho no mar, andar perdido nas ruas de cidades que amo, o som de um comboio ao longe, as palavras da Joana Manuel. Os abuelitos madrileños nos bancos do bairro de La Latina, descobrir palavras novas num dicionário, o riso da minha mãe cada vez que digo um disparate, o cheiro de alfazema num quarto, os provérbios de Lao-Tsé, andar no eléctrico 28 em Lisboa, a alegria dos dias de praia em S. Pedro de Moel. As minhas velhas botas Camel, as fotografias antigas da família, as histórias que vivi com os meus amigos, a recordação da magia do Maradona, o sabor do último beijo.

12 comments:

testaravida said...

"... no limite da inteligencia e da sensibilidade." E o que encontro aqui, textos que me fazem viajar as minhas proprias recordacoes dos teus momentos que nunca vivi!

yes! my love! said...

Gr8 post!

Pecola said...

e fechaste com chave de ouro, parece.me.

Ar (para respirar) said...

Já não sei que caminho me trouxe até ao teu blog, mas assim são os acasos! E este é um bom acaso de escrita doce e sumarenta!

Nikita said...

...E por acaso terás tu os pulsos de Larry?.........

K. said...

Sim, suponho que tenho os pulsos como os de Larry. Lamentavelmente, não tenho os seus conhecimentos, nem a maturidade espiritual. E isso sim, é algo a que aspirar.

Elipse said...

é de vida que falas. E com que invejável garra!
Abençoada vida que se absorve na tua escrita.

intruso said...

funny little things,
as mais importantes.

:)

abraço

p.s.
essa praça é um dos sítios mais belos em barcelona... lembro-me de há dois anos ter ficado lá imenso tempo (sem vontade de ir embora...)

musqueteira said...

viva K... e no meio de todas as recordações europeistas e não só: o nosso electrico 28! do chiado à graça... pelas colinas, riscando lisboa. um beijo e bom regreso, maria.

tonsdeazul said...

Gostei imenso de ler estas palavras, que me fizeram relembrar outras recordações!

maria said...

um beijinho pela visita, outro pelas palavras

Manel said...

:) E raindrops on roses e whiskers on kittens. E a chuva a cair sobre mim como se fossem beijos. E sonhar com Charing Cross Road. ;)