Monday, 12 May 2008

Para a Sara, que se acreditou eterna no que dava

Sara. Barcelona, Julho de 2006. Fotografia de K.


Às vezes tudo se esclarece num instante, num ápice de lucidez. Num golpe súbito vês o que fizeste e apercebes-te, absorta e espantada, que outra coisa muito diferente surge diante dos teus olhos. O que tiveste do amor não era amor, mas apenas o resplendor mortal de uma carícia, que não advertiste enganada pela sua mentirosa doçura. E depois veio a triste desilusão. Para sempre amaste uma pessoa sem saber ou intuir que te enganavas, acreditando que eras eterna no que davas, até que um dia te encontraste sozinha. O sonho foi tão necessário para ti como as lágrimas que caíram depois dos teus olhos, quando desfeita a ilusão o sol se escondeu para sempre e tu ficaste abandonada como um brinquedo esquecido.

10 comments:

M. said...

Existe outra maneira de dar, senão essa?

:)

Pecola said...

Mas se déssemos a pensar sempre na retribuição, seria dar?

:)

Anonymous said...

É muito pobre quem (já?) não acredita na mais pura eternidade, oculta mas presente, exactamente aquela que está inerente a qualquer dádiva, a qualquer sonho.

E triste, muito triste, a comparação do final deste post...

Nem sei de quem ter mais pena, se do eu que escreve, se do tu escrito...

Bárbara

sem-se-ver said...

isto é bom bom bom, lindo lindo lindo!

«O que tiveste do amor não era amor mas apenas o resplendor mortal de uma carícia.»

(caramba)


(acho que ainda venho aqui pedir-te autorização para o citar lá no meu tasco)

(deixa-me pensar)

beijo

GWB said...

Legal o teu blog.

intruso said...

a (quase) impossível eternidade,
mesmo acreditando nela.

...

abraço

K. said...

Bárbara, acredito nessa eternidade, por muito difícil que seja alcançá-la. Tu mesmo a definiste melhor que eu: "oculta mas presente, exactamente aquela que está inerente a qualquer dádiva, a qualquer sonho".

Estas palavras, no entanto, surgiram ao ver a relaçao de uma amiga que buscava o seu sonho onde nao havia nada além de indiferença e mentira. A dádiva, o sonho, compartem-se. Foi necessária na altura esta ascensao e queda, este abandono, para poder ver as coisas claramente. Se a comparaçao te pareceu triste, nao queiras imaginar o que foi vê-la tornar-se real.

pedro said...

Os teus textos são fabulosos!
Um livro por favor!

violeta13 said...

assim se ama

MONALISA said...

Muito bem escrito e muito bem descrito.