Wednesday, 7 July 2010

A cor da saudade


Praia de Bogatell, Barcelona. Julho de 2010. Fotografia de K.



Não me tinha apercebido de quanta falta me fazes até que te vi a noite passada entre as brumas de um sonho, até que a música que ouvia esta manhã me recordava de ti. Não me tinha apercebido de como as tuas palavras são ternas e verdadeiras, e ecoam dentro de mim, até que me lembrei da tua voz luminosa, como um sol sobre a minha sombra. Não sabia que alguém se podia sentir assim, quando tu e eu somos só nomes, imagens e vozes. A cor da saudade é sépia. Não me tinha apercebido que gostava mesmo que estivesses aqui. Não, não me tinha apercebido, mas é assim.

Tuesday, 22 June 2010

Um dia, uma manhã assim...

O céu azul de Barcelona visto do terraço da piscina do Hotel Oom, Agosto de 2006. Fotografia de K.



Ver-te-ei viver, e tu ver-me-às distraído com as recordações que irei guardando de ti. Nesse sítio tranquilo, onde descansa o amor, e onde seremos mais vivos do que alguma vez fomos noutra época. À nossa maneira havemos de nos olhar, sem segredos, quotidianamente solícitos, expectantes de nós, com alguma palavra perdida para todos os outros, que serão como que um distante passado. Não pensarei nunca que já não me queres, apesar do tanto que dá que pensar o coração, e verei sempre esse momento em que viras o rosto para mim. Esse próprio momento virará o rosto para nos ver, para nos recordar mais tarde, quando o Tempo já não tiver idade. Quando pensares que és feliz, ou quase feliz, saberás que nunca ninguém manteve tão viva a tua sombra, tão presente o teu aroma como eu. E então, nesse preciso momento, no céu avistarás uma manhã de esperanças que ninguém poderia jamais expressar.

Thursday, 27 May 2010

Como uma tatuagem

Paula’s Darksun. Fotografia de K.



Para a Paula


Como uma tatuagem desbotada, fui-me apagando da tua pele, e as minhas últimas carícias desapareceram de ti, descoloradas a cada dia que passava. Disseste-me que foi a ilusão da véspera de um feriado, disseste-me que foi o tom daquela luz que iludia os sentidos, eu disse que foi a poesia nocturna das ruelas do Bairro Gótico, pensámos que num segundo de descuido os nossos corações acabariam por unir-se. Algo ficou abandonado nessa hora sem retorno, uma dor mastigada, uma paixão acessória que já não tem magia ao recordar. As noites foram passando, na última tu deixaste as persianas do teu quarto abertas, esperando o conforto da madrugada ou o passear do resplendor da luz na tua pele. Noite nenhuma regressa do lugar onde se esconde o tempo, nem nenhuma paixão se pode mascarar de amor. Enquanto o sol subia no horizonte, esvaneci-me em ti, desapareceste de mim.

Saturday, 8 May 2010

Sonhos

Port Olimpic, Barcelona, Abril de 2009. Fotografia de K.


Passava já das nove e meia quando a Teresa entrou no restaurante onde tínhamos combinado jantar no dia anterior. Tinha-me entretido nos últimos trinta minutos a apagar Marlboros no estilizado cinzeiro prateado. A Teresa estava discretamente maquilhada , trazia um vestido escuro de algodão e saltos altos. Pediu-me desculpa pelo atraso pois estivera toda a tarde ultimando os preparativos para a viagem. Dentro de poucos dias ela partiria para o sudeste asiático e este jantar seria o nosso último em Barcelona, certamente por um longo período de tempo. O seu pai fizera parte do corpo consular e tinha falecido há alguns meses. O precoce casamento da Teresa tinha também chegado a um fim recentemente, e o futuro iria ser em breve encetado numa longínqua metrópole a meio mundo de distância. O jantar foi excelente, e a noite estava agradável para a época. Falamos sobre temas triviais, rindo e recordando as peripécias que levaram a que nos conhecêssemos. Mas essa é uma outra história.


Quando, após o café, nos trouxeram os copos de Jameson, a Teresa olhou-me nos olhos por uns segundos, e baixando-os, disse-me: “O meu casamento acabou porque o meu marido não me amava a mim, mas sim um ideal que fizera de mim. Uma imagem de acordo com os seus desejos e projectada à força em mim, um fantasma da sua fantasia. Estava presa no seu sonho e eu não quero sonhar os sonhos de quem quer que seja, quero sonhar apenas os meus. E quero viver todos os meus sonhos”. Não falava com emoção, antes com uma calma ponderada e metódica que a caracteriza. Discorreu sobre o seu novo emprego e o seu novo país, o que me fez pensar em como se torna cada vez mais estreito este mundo em que vivemos. Até que lhe perguntei se, nos sonhos que sonhava para si, apenas tinha como planos o emprego e o vasto mundo. A Teresa olhou-me de novo longamente, fazendo girar o seu whisky no copo, sem deixar revelar qualquer tipo de emoção, e depois disse: “Posso esperar. Ainda sou jovem e o mundo é grande. Posso fazer o meu trabalho sobriamente, esperando por aquilo que me há-de acontecer na devida altura”.


Despedimo-nos com o mar por companhia e, num último relance, vi a luz dos neons iluminar o seu cabelo loiro. Durante um longo tempo fiquei a observar a praia deserta e as tímidas estrelas que as luzes da metrópole deixavam entrever-se no céu. Não conseguia apagar a Teresa do pensamento, imaginava-a à espera daquilo que haveria de lhe acontecer na devida altura, como se isso fosse um facto garantido. A expressão vita brevis aflorou os meus lábios... a vida é breve, e os sonhos são apenas sonhos.


Friday, 5 February 2010

Luz de Janeiro

Barcelona, Janeiro de 2010. Fotografia de S.J.


Como o primeiro cigarro da noite, como os primeiros abraços, encontrámo-nos naquela festa logo no início. Tinhas o olhar sonhador e um cotovelo preguiçoso apoiado no balcão do bar. Ocupávamos aquele espaço com vontade de sair do centro da festa, das luzes brilhantes e das conversas vazias. Ali bebíamos tranquilamente, olhávamo-nos e deixávamos que a penumbra, a música e o suave desejo de um regresso juntos nos rodeassem. Tinha passado muito tempo até a oportunidade se materializar, mas sabíamos que não escaparia mais. Mais tarde saímos, não eram ainda as altas horas da madrugada, a noite não atingira o pico do seu breu. As ruas pareciam cenários de fantasia decorados especialmente para uma noite de Janeiro onde o amor vem dar um invernal passeio. As nossas sombras fugitivas cruzavam rápido as vielas, negras como um par de gatos vadios, as golas dos casacos subidas, o vapor da respiração suspenso no ar. Silhuetas sem voz, sombras que foram ganhando forma à medida que nos abraçávamos na noite gélida, e íamos construindo esta história que somos hoje. A tua casa naquele prédio tão antigo parecia um castelo sombrio cheio de mistérios, mas iluminou-se quando entrámos e aquela janela que não fechava bem não deixou entrar o frio nessa noite. O quarto estava cheio da dança de luz e sombras, um espectáculo que as persianas tantas vezes nos roubam, e ali estivémos até a madrugada trazer os primeiros bocejos da cidade. Lá fora o silêncio ia-se rompendo pouco a pouco, os sons da vida irrompiam de igual modo que os raios de sol no já morto breu da noite anterior. Eu não tinha dormido nada, ficara acordado a ouvir-te sonhar, a ver a dança nocturna das coisas. Quando me levantei na quietude desse Sábado, um sorriso tranquilo brilhava nos meus lábios.

Wednesday, 13 January 2010

A solidão do dia


Barcelona, Janeiro de 2010. Fotografia de A.C.

O céu invernal tem contornos de flores de gelo. A neve acumula-se nas montanhas mas resiste com teimosia a descer a Barcelona. Nestes dias a alba parece elevar-se no ar levada pelas gaivotas da praia, como uma canção levada pelas estrelas. Janeiro demora-se no horizonte, desliza sobre a gélida e tranquila água do Mediterrânico e pede-nos paciência. Demorará a passar este Inverno, com o seu leque de cores espessas, um longo tecido escuro bordado pelas mãos da noite. Está tanto frio aqui na praia. Ao meu lado, sob o grosso cachecol de lã, a Anna suspira pela próxima Primavera, pela suavidade da brisa marítima. Alguns pescadores passam pelo areal, por vezes caminhando devagar e com um certo descuido de profeta. O sol frio aparece pouco a pouco, e eu aprecio com vagar a beleza das cores que vão mudando. Pertenço a este silêncio do canto onde o temporal deixou aparecer alguma beleza, a este território onde a solidão faz passar o dia com as suas tristes aves ocultas.

Tuesday, 15 December 2009

Bon Nadal

Barcelona, Dezembro de 2009. Fotografia de K.


Faz frio, faz tanto frio. Parecia que este ano ele não chegaria, mas aqui está, um monstro de escuridão e vento que varre toda a cidade. Caminho sozinho pela Rambla para chegar ao bar onde tinha combinado o meu encontro. Na Rambla há muita gente mas assim que giro para o Gótico apenas as trevas e o vento ficam. Parece que as pessoas vão sendo varridas da rua para me abrir caminho, e estou agora sozinho, rodeado pela noite, com as estrelas a brilhar no céu gelado de Dezembro. Caminho em silêncio, as mãos escondidas nos bolsos do casaco e os lábios detrás do cachecol. Se não visse o luar que vai aparecendo entre os cruzamentos das vielas diria que está prestes a nevar. Se pudesse pedir um desejo… Penso que dentro de uns dias já estou em casa dos meus pais de novo, também eles voltam depois de tanto tempo. Estranho como todos acabamos a viver longe das pessoas que vamos conhecemos. As rajadas de vento gelado despertam-me de novo para a realidade e já vejo na esquina a luz e ouço os sons do local onde fará calor e estão aqueles que me esperam aqui. Quando estiver a caminho de casa recordarei apenas estes dias, recordarei apenas todos os dias que foram bons.

Thursday, 3 December 2009

O prodígio desta cidade


Barcelona, Dezembro de 2009. Fotografia de K.

São profundas as linhas azuis do céu outonal. Ainda há folhas nas árvores e o frio que finalmente chegou é esbatido pelo calor do sol do meio dia. As verdades passeiam nas ruas em dias assim, deixam as suas palavras de vento suspensas no ar para quem as quiser entender. “Eh, tu, não penses mais nisso. Continua o teu caminho, não voltarás nunca atrás”. O meu pensamento deixa-se levar pela brisa, deixa-se levar pela beleza do dia. “Não esperes nunca, nada vai alguma vez esperar por ti”. É hora do almoço e em breve terei que pegar na bicicleta e voltar ao escritório. Antecipo o gozo da brisa fria de Dezembro, a descer rapidamente a interminável Diagonal. Sim, penso, não há nada que não tenha solução, se não me obcecar com a resposta. São profundas as linhas azuis do céu, no final das avenidas reina um sonho com som de mar e o sol aquece mais do que eu esperava. Monto na bicicleta, viro em direcção à praia e deixo-me levar.

Friday, 27 November 2009

Da lembrança


El Rastro, Madrid. Abril de 2002. Fotografia de K.



Nunca sabemos o que vamos encontrar no virar de cada esquina. Uma voz conhecida, um aroma familiar, um rosto inesperado. Ontem ao fim da tarde recebi uma chamada de um número que não conhecia. Atendi só porque não estava demasiado ocupado e a surpresa deve ter-se desenhado na minha cara de uma maneira surpreendente. Nunca estou preparado para estas situações, nem esperava ouvir a voz que me chamou. A voz de um amor antigo, a voz da felicidade das calles de Madrid, a voz da esperança no futuro que nos aguardava em algum sítio. Madrid. Madrid… E ali estava aquela voz, a invadir o meu escritório de Barcelona, a dizer-me coisas que me perguntei a mim mesmo tantas vezes. Quando desliguei pensei bastante, recordei. A saudade é azul meia-noite. É só um nome, uma imagem na memória e um vazio no coração. Bea. Beatriz. Se alguém se tivesse aproximado e me tivesse tocado nesse momento, ter-me-ia desfeito em pedaços.

Wednesday, 18 November 2009

Fora de época


Parc de Ciutadella, Novembro de 2009. Fotografia de K.


A manhã é mais fresca e maravilhosa que nunca e as pessoas caminham sem pressas pela rua, com roupas leves. Confirmo no calendário do telemóvel a data de hoje: Sábado, catorze de Novembro. O mesmo sol aparece no azul pálido do céu, e o aroma das castanhas assadas vem de longe, como se tentasse recordar os distraídos que o Inverno quase está aqui. Em vão. A luz que invade as ruas faz com que a vida floresça na multidão de corpos que se atraem e se procuram. O calor é perceptível no ar, nas peles, nos risos. Adolescentes percorrem o parque da Ciutadella, jovens incansáveis como nós fomos noutros dias, encontram-se nos relvados, deitam-se ao sol, ao lado das suas bicicletas. Entram no dia de hoje bêbados de desejo, renunciam às abstinências do Inverno e beijam-se sem pudor como deuses que morrerão, sem remédio nem culpa, na cruz dos anos. Hoje em Barcelona tudo parece tomar o seu tempo e e o próprio tempo parece não passar, distraído com as cores dos sonhos que pintam a cidade.


Tuesday, 10 November 2009

Prelúdio


Barcelona, Novembro de 2009. Fotografia de K.


Sabia que o estio estava prestes a despedir-se pois não é normal o calor no mês de Novembro, nem mesmo aqui, onde nada é normal. Os dias duravam só o que lhes permitia a noite, e acordava com a primeira luz do amanhecer nos olhos e um pouco de frio no corpo. Mas o cheiro da brisa que entrava pela janela aberta desmentia a época do ano e quase parecia que, como no Verão, o melhor sítio para apreciar a alba era nos telhados. Amanhecia e custava despedir-me dos sonhos tranquilos de sábado, aquela espécie de nuvens de algodão doce da mente que o espreguiçar reduz ao esquecimento. Subi ao telhado e esperei que o sol fosse subindo e tornando nítidos os contornos e cores das coisas. Nada se movia a não ser a brisa. Fiquei em silêncio muito tempo, a ouvir o vento suave que passava, rodeado pelo sussurro dos milhares de folhas das árvores dos jardins dos vizinhos. Só eu e o último silêncio que antecede os dias dos homens. Fiquei ali uma eternidade.

Wednesday, 28 October 2009

A língua materna


Porto, Maio 2005. Fotografia de M.G.


Às vezes regresso. Regressos curtos, espaçados entre si, em que aproveito para ouvir e falar a língua em que respiro, a língua que cada vez menos falo. A que chamamos língua materna, esquecida como uma anémona no azul profundo do mar, onde me refugio e sonho nas noites mediterrânicas. A língua em que escrevo, cada vez mais veladamente, cada vez mais uma mistura de diferentes línguas quotidianas. E, no entanto aí está, essa língua que sempre me aparece como as gaivotas que cruzam os céus das cidades costeiras. Nos silêncios revejo as palavras e ouço os fonemas que me levam àquelas pedras cinzentas e ao mar revolto. Não poderão adivinhar a ventura que são para mim estas letras que habitam o ar etéreo, quietas e caprichosas como soturnas vigilantes de um estranho exílio.

Tuesday, 20 October 2009

Os telhados de Barcelona


Barcelona, Outubro de 2009. Fotografia de K.


As nuvens de Outubro chegaram para encobrir o magnético céu azul de Verão. Subi ao telhado como noutras vezes, eu que sem saber nunca muito bem porquê, acabo tantos entardeceres nos telhados de casas da cidade condal. A este nunca tinha subido, e sorrio ao descobrir uma nova perspectiva da cidade. Vejo a Sagrada Família lá ao longe, e os sons da cidade parecem muito longínquos, e recordo a primeira vez que escrevi num telhado. Foi na minha casa na calle Rossellón, ao lado de La Pedrera, um texto curto chamado “Se tivéssemos um dia”, há já mais de três anos. Foi uma tarde inesquecível, o sol afundava-se sobre o casario e a Valeria acompanhava-me, fotografando esses momentos enquanto a minha caneta deslizava pelo moleskine. Eu era feliz porque estava ali e escrevia para alguém que estava muito longe, mas ao mesmo tempo muito perto de mim, e sentia que essas palavras eram parte da verdade que levava dentro e era bonito encontrá-las ali, assim, naquele telhado. Agora leio mais do que escrevo nos telhados. E os meus amigos, amigas ou conhecidos a quem peço acesso aos cumes das suas residências olham-me entre boquiabertos e suspeitosos por semelhante requisição. Mas gosto de subir e ficar aqui, a sonhar desperto, pensando que um dia todas as portas se abrirão e então poderei ver tudo, e a surpresa não queimará a minha língua. E então compreenderei o crescimento das plantas, a mudança de pêlo nas crias pequenas, a emancipação das palavras. Encontrarei os sinais da mudança e a queda dos astros no céu será a prova da existência de outros caminhos. Nestes telhados morre em cada entardecer a aparência de um mundo que muda, e um dia no meu olhar nascerá, nua e bela, a essência do seu segredo.

Wednesday, 14 October 2009

“Cuando nací, pobreza, me seguiste…”


17 de Outubro é o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza. Barcelona, 2009. Fotografia de K.


Caiu da barriga da sua mãe e arrastou-se sobre a calçada imunda até chegar a um leito de ossos. A vida toda foi um largo pesadelo, sem afectos nem olhares, com o sabor acre do metal e o incómodo dos piolhos como companhia. Cada noite recostava as costas do seu pobre corpo sobre as pedras frias da rua. E assim, cansado de lutar pela sua comida com as ratazanas, deixou-se amontoar entre os mortos.

Monday, 5 October 2009

Sinais

Avenida Diagonal, Barcelona, Setembro 2009. Fotografia de K.


Espero um sinal de aviso, eu que tantas vezes escrevi as palavras secretas num papel, as gravei num grão de areia com a força da ilusão. Espero esse teu sinal. Iluminado por um halo de luz, como quando um grande navio cruza a costa diante das poderosas escarpas, ou quando na noite escura se incendeia a tenda de um circo oriundo de um país longínquo. Espero, impávido no entardecer, sob a memória de tribos antigas que percorreram intermináveis jazidas de carvão de ignotas minas, sob o olhar do tigre inclinado que parece apoiar-se nos últimos raios de sol. Espero um aviso, uma voz ou um assobio, entre os rios de imensos canaviais, e a opulência das montanhas verdes perdidas no horizonte. Procuro-te em todos os cantos do mundo, com uma tocha procuro em vão alumiar os vidros embaciados onde pudesses ter deixado o sinal mágico do teu segredo. Posso esperar, como sempre o fiz, sozinho ao entardecer, nestes dias em que não te deixam cruzar o umbral da ponte do meu rio, nem me deixam seguir pelos caminhos as linhas secretas das pedras do teu vale.