Friday, 12 September 2008
Premonição
Wednesday, 10 September 2008
Roma
...Procuras Roma em Roma, ó peregrino,
Monday, 1 September 2008
Só para dizer que finalmente chegaram... as férias
Até breve.
Tuesday, 12 August 2008
Decomposição da luz
Carrer del Bisbe, Barcelona, Junho de 2008. Fotografia de V.B.
O tempo escapou-se quando começou a estação em que rimavam os nossos nomes, como se fôssemos adolescentes eternos. Abandonaram-nos as poesias clandestinas das ruelas do Bairro Gótico, as palavras e as caminhadas sob o prisma dos oblíquos raios do sol poente. Sem sabê-lo caminhávamos já em direcção às feridas interiores do silêncio, ali onde as vozes da memória perdem o seu vigor e as suaves ondas mediterrânicas varrem os resquícios dos dias passados. Às vezes vivemos num relâmpago e morremos o resto do tempo. Procurávamos a luz, como a lagarta que se metamorfoseia em borboleta, e levávamos dentro esse fulgor nas constelações profundas do nosso ser. Pensávamos ser os eternos exploradores do amanhã mas não suspeitávamos sequer da impossível convalescença do nosso futuro.
Wednesday, 30 July 2008
El llano en llamas
Ontem fui despedir-me do Alejandro. Mastiguei esse verbo pelo caminho e resolvi não pensar demasiado nele, nem na partida iminente. Voltava ao México natal, um regresso que se adivinhava já pela falta da documentação essencial para continuar a residir na Europa. Voltava na manhã seguinte ao seu llano en llamas, a planície em chamas do interior sobre a qual escreveu Juan Rulfo. Uma certa impotência ronda-nos sempre nestes momentos, uma vontade interior de querer mudar o rumo das coisas, de poder gritar ou imaginar alternativas. Mas morre-nos na garganta. E no olhar. Um dia as nossas vidas cruzam-se. Mais tarde ou mais cedo, separam-se, quem entra numa vida sai dela também. Olhava-o enquanto ele falava do que iria ser o dia seguinte, e os dias que se seguiriam a esse. Em algum momento conhecemos as pessoas que nos marcam para sempre, e quando sabemos que as vamos perder é como se gravássemos na memória o máximo de informação possível, para que nunca desapareçam verdadeiramente. Depois vieram os copos, os brindes, as canções, as mentiras que dissemos entre todos... porque nestas ocasiões os amigos mentem acreditando que dizem a verdade. Com cada adeus a sensação é a mesma, passam meses e anos, e as noites são como poços de esperança de encontrar quem já passou, e as tardes nada mais que caminhos cheios de ausências. Mas há que dormir nessas noites e caminhar nesses caminhos e encontrar a força nos abraços, e ter a certeza definitiva de que estivémos juntos alguma vez, cruzando a planície em chamas.
Wednesday, 23 July 2008
I'm the Grinderman, yes I am...
"I'm the grinderman
In the silver rain
In the pale moonlight
I am open late
Yes I'm the grinderman
Seven days a week
In the pale moonlight
In the silver rain
Yes I'm the grinderman
Yes I am
Any way I can"
Monday, 14 July 2008
Sinais
Sunday, 22 June 2008
Do futuro
Monday, 9 June 2008
These are a few of my favorite things
Cantar sozinho no duche, oferecer flores quando não se espera, tomates cherry, o sabor de um puro cubano, conversas intermináveis na Plaza Sant Felip Neri, ouvir The Magnetic Fields num descapotável na costa de Girona, o aroma a manjerico nas ruas do Porto no S. João, lagostins e cerveja ao pequeno-almoço no Mercat de La Boquería num Sábado de Verão. Dormir ao ar livre, o sorriso da Audrey Hepburn, os amigos boémios e anarquistas, a recordação do primeiro beijo, os fotogramas surreais do David Lynch, o sal na pele e nos lábios depois de um banho no mar, andar perdido nas ruas de cidades que amo, o som de um comboio ao longe, as palavras da Joana Manuel. Os abuelitos madrileños nos bancos do bairro de La Latina, descobrir palavras novas num dicionário, o riso da minha mãe cada vez que digo um disparate, o cheiro de alfazema num quarto, os provérbios de Lao-Tsé, andar no eléctrico 28 em Lisboa, a alegria dos dias de praia em S. Pedro de Moel. As minhas velhas botas Camel, as fotografias antigas da família, as histórias que vivi com os meus amigos, a recordação da magia do Maradona, o sabor do último beijo.
Wednesday, 28 May 2008
Citrinos
Monday, 12 May 2008
Para a Sara, que se acreditou eterna no que dava
Wednesday, 16 April 2008
Luminosa pende a vida das nuvens
Monday, 7 April 2008
O Segredo
Friday, 21 March 2008
De um homem sozinho na hora do fecho de um pub
Debruças-te no balcão quando os demais já se foram, e não vês a cara séria do barman que fecha o sítio lentamente. Não foste capaz de incendiar a vida, de vivê-la e reduzi-la a cinzas, e escolher os caminhos sem medo. Os teus lábios estão selados para o mundo e só se entreabrem para sorver o último whisky. Não mais te levantaste cantarolando velhas melodias irlandesas, como aquela do marinheiro bêbado que cantavam os jovens da mesa do fundo horas antes. No teu âmago afogam-se as baladas e canções do mar, extraídas dos velhos cancioneiros celtas, já esquecidas entre o whisky ambarino e o desânimo dos dias. Talvez vagueies pelos caminhos encharcados do Inverno, pelas alamedas que levavam à praça da tua aldeia, onde as raparigas outrora desejavam o teu coração de cotovia. Agora o teu coração bate devagar, separado da madeira do balcão pelo couro do casaco, e nele te debruças com aquela mesma melodia irlandesa no pensamento. Os olhos arrogantes do barman pousam de novo sobre ti e perguntam-se “que vamos fazer com o marinheiro bêbado?”. Mas já longe ia ele, perdido noutras marés, com a cabeça apoiada no balcão dos sonhos e toda a obliquidade da luz reflectida nos cabelos grisalhos.
Saturday, 8 March 2008
Como um vôo verde na bruma
A solidão acompanha-nos nestas terras, em todas as terras, e avisto-a também entre estas ervas do campo, imensas, um universo de mensagens eternamente à espera de serem lidas, um mar de ondas que jamais chegarão a uma praia, sob uma luz compartida de uma pequenez infinita. O mundo parece sorrir, burlão, da translúcida presença de tudo e ditar uma regra inalterável, algo que se impõe para todo o sempre. Somos ervas do campo, alfabeto de vento, e não alcançaremos mais que um breve florescer.